domingo, 21 de julho de 2019

Artigo "A Interferometria de Base Muito Longa (VLBI)"

A Interferometria de Base Muito Longa (VLBI)

REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR, V7n02
Virgílio B. Mendes IDL/ Universidade de Lisboa

Em 1929, na sua obra “A Origem dos Continentes e Oceanos” Alfred Wegener deixava um desafio à Geodesia, que permitiria provar a sua teoria da deriva continental: “Isto deve ser deixado para os geodesistas. Não tenho dúvidas de que num futuro não muito distante teremos sucesso em fazer uma medição precisa da deriva da América do Norte em relação à Europa.” Foram necessárias várias décadas, mas essa deriva veio mesmo a ser verificada com base em medições efetuadas pela técnica da Geodesia Espacial denominada Interferometria de Base Muito Longa (VLBI – Very Long Baseline Interferometry). Originalmente desenvolvida para obter informação de quasares, rapidamente se perceberam as suas potencialidades para as Ciências da Terra. As primeiras experiências com VLBI foram levadas a cabo no Canadá e nos EUA, em 1967, e as primeiras medições intercontinentais iniciaram-se um ano depois, entre o Observatório de Haystack, do Massachussets Institute of Technology (MIT), nos EUA, e o Observatório de Onsala, na Suécia. Em 1986, são publicados os primeiros resultados que confirmavam a teoria de Wegener. Ao longo de mais de meio século de desenvolvimento, medições por VLBI têm proporcionado um conhecimento notável dos mais diversos fenómenos associados à Terra sólida. A interferometria surge como um processo que permite contornar a limitação da resolução angular de um telescópio, que depende de dois fatores: o diâmetro do telescópio e o comprimento de onda do sinal que pretendemos observar. A observação de comprimentos de onda na banda rádio usados em radioastronomia necessitaria de telescópios com diâmetros de ordem quilométrica, o que constitui um impedimento físico. Com a interferometria, a resolução angular é indiretamente conseguida fazendo observações da mesma fonte de radiação em duas antenas separadas por uma grande distância. Desta forma, a principal limitação à resolução angular é a distância entre as antenas e não o diâmetro de cada antena. A VLBI é uma técnica geométrica, que consiste na medição da diferença de tempo que decorre entre a chegada de um sinal de rádio emitido por um quasar a duas antenas terrestres (FIGURA 1). Em cada sessão de observação, previamente programada, cada uma destas antenas regista de forma independente esse sinal. Um relógio atómico de grande exatidão (maser de hidrogénio) fornece uma frequência de referência precisa para os registos de cada radiotelescópio que são gravados em suporte magnético adequado. Dado que não existe uma ligação física entre os dois radiotelescópios, os registos das observações são posteriormente sujeitos a um processo de correlação. Este processo permite obter o atraso de tempo, a partir do qual se estimam vários parâmetros de interesse. As capacidades atuais da VLBI permitem determinar a posição relativa entre as antenas com incerteza de ordem milimétrica.
FIGURA 1. Esquema simplificado do princípio de funcionamento da interferometria de base muito longa.

A evolução da VLBI está intrinsecamente ligada à capacidade de registo do sinal de rádio. Nos primórdios da VLBI, uma simples sessão de observação (com duração de apenas alguns minutos!) obrigava à utilização de centenas ou milhares de suportes magnéticos, com taxas de aquisição limitadas a 720 kbps. Durante algumas décadas, o registo das observações era feito em fitas magnéticas. Os sistemas mais recentes permitem a gravação em discos rígidos, com taxas de aquisição e capacidades de armazenamento extremamente elevadas, permitindo o registo de longas sessões de observação. A VLBI é uma técnica espacial com características únicas, uma vez que permite definir um referencial inercial e determinar a orientação da Terra nesse referencial, essencial para o estudo da precessão, nutação, movimento do pólo e variação da duração do dia. Por outro lado, uma vez que as antenas estão ligadas à Terra sólida, os deslocamentos relativos entre as antenas permitem o estudo dos mais diversos fenómenos geofísicos, como o movimento das placas tectónicas, a deformação regional ou a resposta elástica da Terra sólida. A VLBI constitui uma técnica essencial no estabelecimento de referenciais terrestres (posições das anten
as) e celestes (posições dos quasares).  
FIGURA 2. A estação VLBI RAEGE de Santa Maria, Açores. (cedida por José Afonso, CAAUL)


A principal desvantagem da VLBI está relacionada com os custos de operação e manutenção, que tem conduzido à desativação de antenas em países como o Canadá e os EUA. Por outro lado, há países em que se investe nesta tecnologia, como é o caso de Portugal e Espanha, com o desenvolvimento do projeto RAEGE (Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais). Com estações localizadas em 3 placas tectónicas distintas (na FIGURA 2, a estação VLBI de Santa Maria, Açores), as observações daquelas estações permitirão, por exemplo, ter um melhor conhecimento da geodinâmica nesta região.

Artigo "O que é um perfil de solo?"

O que é um perfil de solo?

REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR, V7/02
Madalena Fonseca CEF/ ISA/ Universidade de Lisboa

A superfície da Terra é formada por diferentes tipos de rochas que estão sujeitas à meteorização (desagregação física e alteração química), que é a principal responsável pela formação de um manto de material não consolidado, o rególito. Pela ação de variados processos físicos, químicos e biológicos que vão acentuar a meteorização, formar novos minerais e adicionar materiais orgânicos à parte mais superficial do rególito, forma-se o solo – um corpo de características únicas que é parte integrante da paisagem e a base dos ecossistemas terrestres e suporte de toda a vida. O solo é constituído, em diversas proporções, por partículas minerais de dimensões muito variadas e também por matéria orgânica resultante da transformação dos resíduos da vegetação que se instala desde o começo da meteorização da rocha. Estas frações minerais e orgânicas apresentam constituição e propriedades muito variadas e raramente ocorrem isoladas, antes interatuando entre si de modo a formar conjuntos de partículas designadas por agregados. Os espaços vazios existentes entre as partículas elementares ou agregadas constituem os chamados poros do solo, que são preenchidos por água e ar em proporções variáveis e são tão importantes para o funcionamento do solo quanto os respetivos constituintes sólidos. As características do solo resultam da atuação dos chamados fatores de formação do solo (clima, rocha mãe, vegetação e outros organismos, incluindo os seres humanos, relevo e tempo), cuja influência relativa nos processos de formação do solo varia de local para local e determina a enormíssima variedade de solos existentes. De um ponto de vista morfológico, os processos de formação do solo traduzem-se geralmente na diferenciação em profundidade de diversas camadas com características distintas, às quais se dá o nome de horizontes que, no seu conjunto, constituem o perfil do solo. Estes horizontes, que podem ser observados num corte vertical efetuado num solo (FIGURA 1), são camadas sensivelmente paralelas à superfície do terreno, separadas umas das outras por limites mais ou menos evidentes, que se distinguem umas das outras através de características como a cor, a textura, a estrutura (agregação), a consistência e a densidade das raízes que nelas ocorre.
FIGURA 1. Perfil de solo na Tapada da Ajuda.


 Sob os horizontes encontra-se geralmente, a partir de maior ou menor profundidade, material ainda não meteorizado que é a rocha mãe do solo, ou seja, a rocha a partir da qual se diferenciaram os horizontes sobrejacentes. Para uma caracterização completa dos diferentes horizontes e para a sua identificação e designação, são necessários dados laboratoriais. É com base na identificação e caracterização dos horizontes presentes em cada perfil que o solo é classificado de acordo com critérios definidos nos diversos sistemas taxonómicos usados para o efeito. A nomenclatura dos horizontes (e sub-horizontes) não é uniforme e tem variado ao longo do tempo. No entanto, a mais normalmente utilizada é chamada nomenclatura ABC. Neste sistema A é o horizonte mineral mais superficial, em geral enriquecido em matéria orgânica, B um horizonte sub-superficial resultante da alteração in-situ do material originário, da acumulação de materiais translocados de outros horizontes, ou da acumulação residual de constituintes não ou pouco móveis, e C o rególito (material rochoso alterado). Entre os horizontes e camadas principais distinguem-se ainda o horizonte E, um horizonte fortemente empobrecido em argila ou em compostos orgânicos, que foram translocados para um horizonte B, e as camadas R, que designam a rocha consolidada subjacente. A observação direta no terreno de um perfil de solo, a análise das suas características e da forma como as mesmas afetam o uso desse mesmo solo, é o caminho mais adequado para ensinar estudantes ou outras pessoas interessadas no domínio da Ciência do Solo, ou Pedologia. No entanto, para que tais observações se possam fazer no terreno, é necessária uma conjugação de fatores tais como a possibilidade de deslocação ao local de observação, ou as condições meteorológicas vigentes. Assim, na impossibilidade de o fazer, podemos, como alternativa, recorrer a um material didático, muito importante no ensino da Pedologia, designado por monólito de solo. Trata-se de um perfil de solo, idealmente típico e representativo de solos que ocorrem em determinada região, em tamanho natural, preparado de modo a não se fragmentar facilmente e a mostrar a morfologia natural do solo. Uma coleção de monólitos (pedoteca) é uma coleção de perfis dos solos mais representativos de uma região ou de um país (FIGURA 2).
FIGURA 2. Pedoteca – coleção de monólitos do Instituto Superior de Agronomia.

Para recolha de um perfil de solo utiliza-se um talude ou abre-se uma cova no terreno, com as dimensões pretendidas de forma a obter uma secção vertical que contenha todos os horizontes do solo desde a superfície até à rocha mãe. O perfil é retirado com ajuda de uma caixa de madeira ou metal, na qual o perfil é transportado para o laboratório. A preparação de um monólito de solo envolve numerosas operações, que incluem a sua colheita no terreno, o afeiçoamento e impregnação com resinas da superfície a exibir. Estas operações são geralmente morosas e dispendiosas, mas resultam muito compensadoras pelo valor acrescido que fornecem no ensino da pedologia uma vez que um monólito permite o contacto visual direto com exemplares de solos colhidos na natureza. 


sábado, 6 de julho de 2019

Sismo de magnitude 7,1 abala Sul da Califórnia

Sismo de magnitude 7,1 abala Sul da Califórnia


Este é o segundo sismo sentido ao longo de dois dias e poderá ser o mais forte em 20 anos.



Um sismo de magnitude 7,1 na escala de Richter atingiu este sábado o Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, um dia depois de outro forte terramoto ter abalado a região. De acordo com as autoridades, há registo de “múltiplos feridos e incêndios”, assim como danos em estradas e edifícios, mas sem gravidade.
O terramoto, que ocorreu às 20h19 de sexta-feira (4h19 deste sábado, em Lisboa), seguiu-se a outro sismo de magnitude 6,4, na quinta-feira, na mesma região.
Tom Eaton, um especialista em sismos, disse ao New York Times que o abalo deste sábado parece ter ocorrido a noroeste do epicentro do tremor sentido na quinta-feira. O sismologista referiu também que o sismo registado durante a madrugada, em Portugal, terá libertado oito vezes mais energia do que o abalo de quinta-feira.
A agência dos Estados Unidos para a Geologia detalhou que o epicentro do último sismo localizou-se no deserto do Mojave, a 18 quilómetros de Ridgecrest — onde se registou a origem do sismo de quinta-feira. Desde então que tem havido várias réplicas na região.
O especialista explicou também que não parece haver relação entre os dois sismos e a falha de Santo André, a maior e a potencialmente mais destrutiva, que cruza o Golfo da Califórnia até São Francisco. 
Os especialistas em sismologia alertam para a possibilidade de réplicas e mais sismos, escreve o New York Times
A agência norte-americana Associated Press (AP) disse que o tremor abalou o centro da cidade durante 30 segundos e foi sentido em Las Vegas, a quase 400 quilómetros, e no México.
De acordo com a Southern California Edison, a principal companhia de eletricidade da região, existem cerca de 2242 residentes sem eletricidade em Ridgecrest e nas áreas envolventes.
Em Los Angeles, fontes oficiais dos bombeiros dão conta de várias falhas elétricas e de postes de energia caídos em alguns bairros, mas reportam que não foram identificados danos relevantes em infraestruturas.
No condado de San Bernardino, contudo, as autoridades dizem que o sismo deste sábado causou mais danos que o de quinta-feira. A cidade a Este de Los Angeles registou várias ocorrências de colapsos de paredes e de fundações 
Este foi o maior sismo registado no Sul da Califórnia em mais de duas décadas.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Hora da Adivinha Geológica 6

Hora da Adivinha Geológica 6

Chegou a hora de mais uma adivinha geológica. Confere o resultado e o vencedor da adivinha anterior e tenta a tua sorte neste novo desafio.




Como Portugal e América podem entrar em rota de colisão porque o Atlântico está a “descascar”

Como Portugal e América podem entrar em rota de colisão porque o Atlântico está a “descascar”


7/5/2019, 19:24

OBSERVADOR

Um investigador português descobriu que o Atlântico está a descascar para encolher até desaparecer. É daí que vem o sismo de 1969. É a primeira vez que esse movimento é observado em flagrante no mar.

Tanto quanto sabíamos até agora, Portugal Continental não devia tremer. Pelo menos não tanto, nem tão violentamente, como aconteceu em 1755 ou, mais recentemente, em 1969. Aqui à nossa volta, o terreno não é especialmente acidentado. Ao contrário do que acontece nos Açores, que fica mesmo na fronteira entre duas placas tectónicas que se afastam ao ritmo de um centímetro por ano — a Norte-Americana e a Euroasiática —, a costa portuguesa não é atropelada por falhas sísmicas. Na verdade, é uma verdadeira planície debaixo de água. E de tão plana que é devia simplesmente estar mais sossegada.

Só que não está. Ainda há 50 anos, um terramoto de magnitude 8,0 na escala de Richter sacudiu o sul e centro do país, tornando-se no sismo mais significativo do século XX. A origem, nas coordenadas 36.01ºN, 10.57ºW, a sudoeste de Sagres, permaneceu um mistério. Olhando para as profundezas do oceano Atlântico, não se encontrava nada naquele ponto exato do planeta que pudesse desencadear um fenómeno capaz de matar 13 pessoas. Mas isso era porque as respostas se escondiam por baixo da placa tectónica. É que, afinal, ela está a “descascar”. E o Atlântico pode estar prestes a começar a encolher.


João Duarte, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, descobriu que o Atlântico começará a encolher porque assenta numa zona da crosta terrestre que começou a “descascar por baixo”. Foi isso que explicou primeiro na conferência anual da União Europeia de Geociências e depois na National Geographic. Agora, em conversa com o Observador, João Duarte descreve como ele e os colegas protagonizam uma estreia: a primeira vez que se descobriu uma anomalia desta natureza debaixo do oceano. Mais do que isso: a primeira vez que apanhamos em flagrante o momento em que uma placa tectónica começa a morrer.

O sismo de 1969 disparou numa região do oceano chamada Planície Abissal da Ferradura, uma região muito profunda mas suave e plana do Oceano Atlântico. As cartografias dos geólogos diziam que, nessa planície, não havia falhas tectónicas onde os movimentos das placas — peças que chocam, se afastam ou roçam e que compõem a superfície terrestre — acumulassem energia que, quando libertada, gerasse um sismo.

Era um enigma. Mas um enigma que se começou a desfazer quando uma equipa internacional de investigadores, da qual fazia parte João Duarte, instalou sismógrafos no mar para que, durante o ano, lhes dissessem o que estava a acontecer no fundo. Ao fim desse ano, a equipa foi reforçada com uma outra cientista que estudou os dados recolhidos aos longo de 20 anos por todos os sismógrafos, ora no mar ora na terra, nas vizinhanças do Oceano Atlântico. Como “os sismos são um som que nos permite ver o que está lá em baixo”, como descreve João Duarte, os cientistas conseguiram encontrar a ponta do problema. Havia uma “anomalia” no sítio onde o sismo de 1969 tinha nascido.


Só que este foi um daqueles casos, tão comuns na ciência, em que encontrar respostas apenas alimenta mais perguntas.
"Não conseguimos explicar essa anomalia porque não era conhecido nenhum processo tectónico que gerasse um fenómeno destes. Aquilo ficou no fundo da minha mente até me ter juntado a outro colega. Juntámos os pontos e percebemos o que se passa. A placa está a desprender-se, num processo que é conhecido nos continentes mas nunca tinha sido observado nos continentes”, descreveu João Duarte ao telefone com o Observador.
A teoria foi depois confirmada em modelos computacionais que simulavam o que estava a acontecer. Tudo bate certo.
E tudo bate certo, em primeiro lugar, porque explica a origem dos sismos muito profundos detetados naquela mesma zona: “Isso era intrigante porque a região não tinha falhas. Pelo menos, não tinha falhas que pudessem ser vistas à superfície. Por isso, em princípio, sismos destes não deviam acontecer”, começa por explicar João Duarte.
Além disso, o novo processo tectónico proposto por João Duarte coincide perfeitamente com aquilo que os cientistas prevêem que aconteça à Terra no futuro: a certa altura, o Oceano Atlântico vai começar a encolher; e, em vez de Portugal e América se afastarem ao mesmo ritmo a que crescem as unhas, vão entrar em rota de colisão até finalmente se fundirem.
"É como se placa debaixo do Atlântico estivesse a rasgar, mas na horizontal. Ponha uma mão por cima da outra e imagine que a de baixo é forçada a afundar. É isso que está a acontecer. Quando duas placas tectónicas chocam uma na outra formam montanhas. Aqui é como se estivesse a nascer uma montanha ao contrário“, descreve João Duarte em conversa com o Observador.
Isso está a acontecer porque a água está a infiltrar-se nas rochas que compõem a placa tectónica: “Como a placa está debaixo de água, ela vai-se infiltrando e enfraquecendo a parte mais superficial. Mais à tona, ela fica mais leve por estar hidratada. E a parte mais profunda permanece a ser mais densa. Essa infiltração da água vai corroendo a placa, mas a parte mais densa pode destacar-se. Por isso a parte de cima e a parte do fundo podem separar-se”, concretiza o investigador português.
Esses movimentos são os responsáveis por acumular energia nas rochas que, quando libertada, produzem os sismos violentos que assolam a costa portuguesa. Mas não só. Os oceanos nascem, crescem e morrem, mas para começarem a morrer é preciso mergulharem nas chamadas zonas de subducção. Essas zonas são regiões em que duas placas chocam, mas uma delas mergulha por baixo da outra, derretendo quando chega ao manto e destruindo-se. “É um mecanismo de reciclagem das placas. Nas zonas de subducção morrem e nos limites divergentes entre placas nascem”, resume João Duarte.
Ora, as zonas de subducção são muito difíceis de surgirem. “A litosfera oceânica é muito antiga. E quanto mais antiga é, mais densa se torna. Por isso é muito difícil de se partir“, justifica o investigador. Por baixo do Oceano Atlântico, por exemplo, a placa tem cerca de 100 milhões de anos, o que torna ainda mais difícil esse processo: “Há muito poucos sítios onde haja placas oceânicas tão antigas”, acrescenta. Só que, como a parte de cima está mais desgastada pela água e a de baixo é muito mais densa do que a do topo, ela tem tendência para afundar. Como se estivesse a pelar.
No caso do Atlântico, é provavelmente assim que está surgir uma zona de subducção capaz de destruir a placa sobre a qual ele assenta. Segundo João Duarte, “no Atlântico, a placa ainda está a crescer entre os Açores e a Islândia”:
"Mas faltava-nos descobrir como passamos do momento em que está a crescer para o momento em que começa a encolher e a morrer, ou seja, como se formará a zona de subducção que a vai consumir”, explica João Duarte. Essa descoberta acabou de ser feita. Ou seja, podemos estar assistir em flagrante ao desenvolvimento do abismo que vai consumir o oceano que banha a nossa costa.
Quando isso começar a acontecer, em vez de crescer cinco milímetros para a esquerda e cinco milímetros para a direita, o Oceano Atlântico vai começar a minguar. A costa portuguesa e a da América do Norte, ao invés de estarem cada vez mais longe uma da outra, vão passar a aproximar-se. E chegará o momento em que as duas margens se vão juntar. Mas não se preocupe: tem tempo para aproveitar o mar português. Tudo isso só deve acontecer dentro de 200 milhões de anos.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Sismo de magnitude 6.1 provoca vários mortos nas Filipinas

Sismo de magnitude 6.1 provoca vários mortos nas Filipinas


As Filipinas foram atingidas nos últimos dias por dois fortes sismos: o primeiro provocou 11 vítimas no norte do país. Em Manila, os arranha-céus oscilaram imenso e algumas horas depois, outro sismo atingiu o centro da cidade.

Alfredo Graça
23 ABR. 2019 - 17:15 


As Filipinas foram atingidas nas últimas horas por uma série de sismos. O primeiro sismo ocorreu a 22 de abril e teve magnitude 6.1. Atingiu o norte do país e provocou 11 vítimas. O sismo teve epicentro a cem quilómetros de Manila e hipocentro a 20 km de profundidade na região de Luzon Central.


Na capital das Filipinas, o sismo foi fortemente sentido e os arranha-céus oscilaram imenso. A água das piscinas situadas nos telhados de alguns arranha-céus escorregou para o vazio depois do forte 'abanão', originando uma cascata. Impressionantes são também as fotografias que mostram as enormes oscilações dos arranha-céus.

Posteriormente, um novo sismo sacudiu as Filipinas, desta vez mais a Sul: o novo sismo de magnitude 6.3 desta feita atingiu o centro do país, o epicentro teve lugar a 13 km da cidade de Tutubigan, enquanto o hipocentro teve profundidade de 70,2 km. A profundidade deste novo sismo provavelmente evitou mais danos.
O sismo de magnitude 6.1 que atingiu o Norte, particularmente a região de Luzon Central, causou imensos danos. De momento, já subiu para 16 o número de mortos. Durante a noite, na verdade, equipas de resgate encontraram os corpos de algumas pessoas soterrados nos destroços na província de Pampanga, a norte de Manila.

As Filipinas localizam-se numa área de elevada sismicidade devido ao choque de várias placas tectónicas. Elas dispõem-se ao longo do "Anel de Fogo" do Pacífico, o grande anel que rodeia o Oceano Pacífico, e onde a atividade tectónica provoca sucessivos sismos e erupções vulcânicas.



A importância do Dia Mundial da Terra - 22 de abril

A importância do Dia Mundial da Terra 


Comemorou-se anteontem, 22 de abril, o 49º Dia Mundial da Terra. Este dia começou a ser celebrado no ano 1970 e visa alertar a população para os riscos que a Terra está a sofrer.


Teresa Abrantes
23 ABR. 2019 - 12:21 







O Dia Mundial da Terra é celebrado todos os anos no dia 22 de abril.

Todos os anos há um tema atribuído ao Dia da Terra. Este ano o tema é: “Proteja as nossas espécies”. Foi em 1970 que o senador de Wisconsin, Gaylord Nelson, e o ativista John McConnell pediram separadamente aos americanos que participassem numa manifestação de base para protestar contra os impactos negativos de 150 anos de desenvolvimento industrial e, para sensibilizar a população e os governantes para o estado do ambiente na Terra, e consciencializá-los sobre o nosso papel na proteção do nosso mundo natural.

Como nasceu o Dia Mundial da Terra?

McConnell escolheu o equinócio da primavera, 21 de março de 1970, e Nelson escolheu o dia 22 de abril. Foi este último dia, que se segue ao Dia da Árvore, que cai na última sexta-feira de abril, que ficou marcado para celebrar o Dia Mundial da Terra.
Começou mais como um movimento político, embora hoje se tenha tornado um dia popular para muitas comunidades desenvolverem ações para alertar populações e políticos para o estado atual da Terra, tais como limparem lixo, plantarem árvores ou simplesmente organizarem reuniões para reflexão sobre a natureza e o ambiente.
É difícil acreditar hoje, mas a maior parte das pessoas não estava ciente de algumas questões ambientais graves, tais como a poluição do ar, os depósitos de lixo tóxico, utilização de pesticidas, a perda de vida selvagem, entre outros. O Dia da Terra é agora um evento global a cada ano e estima-se que mais de mil milhões de pessoas em 192 países participam no que é um dos maiores dias de ação com foco cívico no mundo.
Foi devido a iniciativas destas, criação de um Dia da Terra, bem como outras iniciativas que existem atualmente, que cada vez há mais pessoas a consciencializarem-se da necessidade de serem tomadas medidas individuais de forma a minimizar os riscos que a nossa Terra está a sofrer.

Alguns números preocupantes

Após o ano de 1970, de acordo com uma publicação do “American Museum of Natural History”, a população da Terra cresceu em 4 mil milhões de pessoas; produz-se mais do que o suficiente para alimentar toda a humanidade, mas a comida não é distribuída uniformemente, um terço da comida produzida é perdida ou desperdiçada. 







Um quarto dos recifes de corais já têm danos irreversíveis.

Segundo dados publicados pela Associação Zero, e atendendo ao tema deste ano, “Proteja as nossas Espécies”, que visa proteger espécies ameaçadas de extinção, desde 1970, em cerca de 50 anos, desapareceram 40% dos animais terrestres e há elevado risco de extinção de várias espécies.
As populações de animais marinhos também caíram 40% e das 11 mil espécies de aves no mundo mais de 4400 estão em declínio. Em 50 anos as populações de animais nos ecossistemas de água doce reduziram 75%, assim como os insetos nalguns locais do mundo. O mundo está agora perante a maior taxa de extinção, desde os dinossauros, há mais de 60 milhões de anos.
Outro dado bastante preocupante é o facto de 25% dos recifes de coral terem já danos irreversíveis. Segundo a mesma fonte, estima-se que 83% da superfície terrestre tem sofrido o impacto do Homem, desde o desaparecimento de animais ao desgaste dos recursos do planeta. A influência crescente da atividade humana na Terra e na atmosfera global tem contribuído para a existência destes números preocupantes. É urgente que o Homem viva em harmonia com a Terra.

Resposta à da Adivinha Geológica 4